In the Papriiqish Way
21, from Portugal, female, student
21, from Portugal, female, student
…reducir el espacio entre tu piel y mis manos
no digas lo siento no existen lamentos
quiero todo, todo para mi.
(Source: aralefunk)
Tenho saudades de dançar.
Poder entrar no palco, com algumas dores e nodoas negras de tanto ensaiar.. Sentir o chão frio contra os meus pés, e poderosos holofotes se acenderem na minha direção.
Não conseguia ver o público, mas sabia que estava lá.
Quando a música começava, sabia que tinha de dar tudo por tudo para sair bem. Não perfeito, mas bem!
Porque nada é perfeito… e com mais ensaios que se tenha, é naquela hora que nos revelamos.
O corpo fica fora de controlo e não o consegues parar. E, nem consegues. Não dá para pensar.
O cerebro é o unico orgão que deixa de funcionar naquele momento solene.
Atiras-te no chão com uma enorme paixão durante a coreografia, fazes o pino se for preciso, se a música o pedir… e como a música pedir.
Arranhas-te, sangras, e nem sentes. Estás possuída pela música, rendida ao êxtase do momento.
Sentes que mais ninguém pode pisar aquele palco senão tu. E, ai de quem te enfrente, to tente roubar. O momento é teu.
No final, sais para os bastidores, vais para o camarim, e aí, cansada mas orgulhosa do teu trabalho, começas a pensar em tudo o que aconteceu. Só neste momento me sentia nervosa, e porquê? Por pensar no julgamento das pessoas sobre o que acabei de fazer. MAS FIZ! E gostei.
Era assim que me sentia… Era assim que vivia. Cansada, magoada tanto fisicamente como psicologicamente por não conseguir fazer uma pequena sequencia de coreografia no tempo correcto.
Mas, depois de a ensaiar vezes sem conta, conseguia-se sempre… Até o fazia com mais rapidez do que era necessário.
Nada se consegue sem paixão.. e esta era a minha paixão. Sempre será, sempre foi, ainda é.
I’M A DANCER!